Archive for the 'Dietoterapia' Category


Este é um tema importante, pois o uso de opióides é cada dia mais frequente em pacientes com dores refratárias aos analgésicos comuns e o efeito adverso da constipação intestinal é sempre um fator que impacta negativamente sobre a qualidade de vida. Este trabalho é o resultado de muitas reuniões de um extenso grupo de especialistas, que contou com ativa participação do Grupo de Cuidados Paliativos do Heliópolis, coordenado pela Viviane Moreira Lessa.

 

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Consenso



Suplementos nutricionais orais podem causar impacto positivo na qualidade de vida do paciente por meio da melhora do estado nutricional, redução de complicações e mortalidade (1).

Na prática clínica, diversos suplementos orais estão disponíveis em diferentes formas de apresentação, como líquidos, em pó ou em barra. Geralmente, o enfoque destes suplementos são os macronutrientes – carboidratos, proteínas e gorduras; mas grande parte também contém vitaminas, minerais e ainda nutrientes específicos, como ômega-3 e fibras (2).

Devido ao aumento de evidências científicas de seu benefício, o uso e prescrição de suplementos nutricionais orais têm aumentado em ambiente hospitalar e domiciliar, em pacientes com patologias diversas (como câncer, fibrose cística, doenças gastrintestinais, hepáticas, pulmonares, diabetes, entre outras), estados nutricionais diversos, bem como diferentes faixas etárias, de crianças à idosos (3).

Nos pacientes com câncer, em tratamento ou em cuidados paliativos, a intervenção nutricional tem papel extremamente importante e definido. A suplementação oral deve ser considerada antes das nutrições nasogástrica ou parenteral, e iniciada precocemente, pois pode auxiliar na manutenção ou melhora do estado nutricional e qualidade de vida. Na fase de tratamento, a intervenção nutricional colabora com o aumento da tolerância e resposta ao tratamento oncológico, diminui as taxas de complicações e possivelmente reduz morbidade por meio da otimização do balanço entre gasto energético e ingestão alimentar. Em cuidados paliativos, a suplementação nutricional melhora a qualidade de vida do paciente por controlar sintomas como náusea, vômitos e dor (4).

O uso de suplementação oral em pacientes hospitalizados submetidos à cirurgia gastrintestinal foi analisada em estudo clínico. Neste estudo, 179 pacientes foram randomizados em quatro grupos e receberam suplementação oral no pré, pós ou peri-operatório e avaliados em relação a complicações hospitalares, alteração de peso, permanência hospitalar, medidas antropométricas, qualidade de vida e custos (controle sem suplementação). Apesar de alguns parâmetros avaliados não apresentarem diferença significativa, os autores encontraram que o período mais significativo para início da suplementação foi o pré-operatório e que o suplemento oral foi benéfico, significativo e eficiente na redução de complicações e custos hospitalares, além de evitar perda de peso (5).

Não só pacientes hospitalizados, mas aqueles em tratamento ou acompanhamento domiciliar também podem se beneficiar da suplementação nutricional. Revisão sistemática abrangendo 2.570 pacientes de diversas patologias crônicas, sendo a maioria (83%) residindo em domicílio, encontrou que os suplementos nutricionais orais foram benéficos, mas diferentes de acordo com a patologia de base; os suplementos aumentaram a ingestão de energia; e também que a melhora no peso corpóreo e energia ingerida foi mais frequente em indivíduos com IMC<20Kg/m2 (2).

Os suplementos orais são benéficos também para o paciente idoso e para o sistema de saúde. Estudo prospectivo realizado na França, referente ao uso de suplementos orais em população acima de 70 anos e desnutrida, apontou economia média de 195 euros por paciente idoso desnutrido ingerindo suplemento, após um ano de acompanhamento. Essa redução foi basicamente devido à redução significativa de cuidados médicos (6).

De maneira geral, pacientes idosos desnutridos, hospitalizados ou não, se beneficiam da ingestão de suplementos orais. Após análise de 55 estudos , envolvendo 9.187 participantes, a conclusão de recente metanálise é que nesta população, o uso de suplementos orais melhora o estado nutricional e parece reduzir a mortalidade e complicações hospitalares. No entanto, ainda faltam evidências que suportem o uso do suplemento de rotina, de modo domiciliar e em idosos adequadamente nutridos (1).

Para finalizar, vale acrescentar que os benefícios do uso de suplementos orais existem e são apontados em diversos estudos clínicos. Entretanto, ainda é preciso determinar o tipo, volume/quantidade, palatabilidade e frequência de consumo necessários para produzir um efeito ótimo a curto e longo prazos, em parâmetros clínicos, nutricionais e qualidade de vida.

Letícia De Nardi Campos. Nutricionista do Ganep Nutrição Humana. Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Gastroenterologia da FMUSP. Pesquisadora do Laboratório de Metabologia e Nutrição em Cirurgia (METANUTRI - LIM 35 - FMUSP). Especialista em Nutrição Clínica pelo GANEP.

 

Fonte: Nutritotal

Referências:

1. Milne AC, Avenell A, Potter J. Meta-Analysis: Protein and Energy Supplementation in Older People. Ann Intern Med. 2006;144:37-48.

2. Stratton RJ. Summary of a systematic review on oral nutritional supplement use in the community. Proceedings of the Nutrition Society. 2000;59:469–476.

3. Venegas E, Soto A, Cózar MV, Pereira JL, Romero H, García-Luna PP. Oral nutritional supplements. Are they useful? Nutr Hosp. 2000;15 Suppl 1:49-57.

4. Marín Caro MM, Laviano A, Pichard C. Nutritional intervention and quality of life in adult oncology patients. Clin Nutr. 2007;26(3):289-301.

5. Smedley F, Bowling T, James M, Stokes E, Goodger C, O’Connor O, Oldale C, Jones P, Silk D. Randomized clinical trial of the effects of preoperative and postoperative oral nutritional supplements on clinical course and cost of care. Br J Surg. 2004;91(8):983-90.

6. Arnaud-Battandier F, Malvy D, Jeandel C, Schmitt C, Aussage P, Beaufrère B, Cynober L. Use of oral supplements in malnourished elderly patients living in the community: a pharmaco-economic study. Clin Nutr. 2004 Oct;23(5):1096-103.




Vários fatores podem levar à constipação.  Esse sintoma é mais freqüente nas mulheres do que nos homens, sem que haja explicação para isso. Os mais idosos também têm maior freqüência de constipação do que os mais jovens, o que pode ser associado à menor ingestão alimentar, perda da mobilidade, fraqueza das musculaturas abdominais e pélvica e medicações. A presença de constipação está associada à falta de resíduos dentro do cólon, perda de sensibilidade dos órgãos que desencadeiam os mecanismos da defecação, perda das contrações dos músculos envolvidos com a defecação e obstrução mecânica. Muito da clínica e o exame físico são correspondentes às várias situações relacionadas com tais mecanismos de constipação.

 É um sintoma relativamente freqüente, muitas vezes conseqüente a alterações funcionais, que derivam de padrões de comportamento.  Menos do que três evacuações por semana associado a dificuldade para evacuar, fezes duras, baixa freqüência de evacuações e sensação de evacuação incompleta é considerada constipação.

 As causas da constipação podem ser relacionadas ao hábito alimentar, sedentarismo, obstruções intestinais, alguns tipos de doenças e até mesmo o uso de medicamentos.

No contexto da constipação medidas não-medicamentosas constituem a primeira escolha para manejo inicial, com ênfase em abordagem dietética e de hábitos de vida, através do aumento do consumo de fibras na dieta, água e prática de atividade física.

 Algumas orientações alimentares para a constipação intestinal

» Ingerir 2 litros de água por dia: não adianta consumir fibras e não beber água
» Consumir pelo menos 3 porções de frutas laxativas como : laranja, tangerina  com o bagaço, ameixa fresca ou secas, manga, abacate, jaca,  mamão, melão, melancia ao natural ou em sucos e vitaminas (os sucos não devem ser coados).
» Consumir verduras e legumes crus;
» Pães, Biscoitos e Massas Integrais ( Pão de Centeio, diversos grãos, etc)
» Farelo de aveia, trigo e linhaça podem ser usados na mediada de duas colheres de sopa em preparações para aumentar o aporte de fibras da dieta;
» Praticar atividade física;

 

Receita de coquetel laxante

1 copo de leite desnatado gelado

1 fatia de mamão formosa

5 ameixas pretas secas sem caroço

3 colheres de farelo de aveia, trigo ou linhaça

Bater tudo e tomar em jejum

Obs: É preciso ao longo do dia ingerir pelo menos 2 litros de água

 

Fonte:

 Roberto Dantas Oliveira.Diarréia e constipação intestinal.Rev Méd: Ribeirão Preto,2004

 MAHAN LK, Krause Lta. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 8 ed. São Paulo: Roca, 1994.


15/08/2008

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA DIABETES MELLITUS

Author: Giseli Galati


Uma alimentação saudável para quem possui Diabetes Mellitus é fundamental no tratamento da doença objetivando o controle da glicemia e a redução de risco de complicações causadas pela doença.

 

É possível ter uma alimentação saudável e ao mesmo tempo prazerosa, quando um plano alimentar é adaptado a realidade de vida, tratamento medicamentoso e considera suas preferências alimentares.

 

A alimentação deve ser variada contendo todos os grupos de alimentos: cereais, frutas, verduras e legumes, leguminosas, carnes, leite e derivados. Ela deve respeitar as necessidades nutricionais individuais de energia e nutrientes e ser adequada na quantidade e na qualidade dos alimentos.

 

É muito importante para quem possui a doença procurar auxílio de um profissional nutricionista, pois ele poderá elaborar um plano alimentar adaptado ao estilo de vida e as preferências, que permita flexibilidade na seleção e consumo dos alimentos em diversas situações.

 

Leia algumas dicas importantes para o controle da glicemia:

 

»Fracionar as refeições pelo menos 6x/dia – a cada três horas de forma a evitar picos de hiper ou hipoglicemia;

 

»Evitar o consumo de bebidas adoçadas com açúcar: sucos, café, refrigerantes, chás;

 

»Prefira os cereais com arroz, macarrão e biscoitos na forma integral;

 

»Antes das principais refeições como almoço e jantar consuma vegetais folhosos e prefira sempre os legumes em sua forma crua (as fibras auxiliam no controle da glicemia);

 

»O consumo de frutas isolado ou associado à outra fonte de carboidrato deve ser evitado, pois pode aumentar a glicemia muito rápida, no entanto você pode associar uma fonte de proteína como queijo e ou leite (desnatado), o que auxilia no controle da glicemia;

 

»Associar flocos de aveia as frutas também auxiliam no controle da glicemia;

 

»Evite o consumo de bebidas alcoólicas;

 

»Reduza o consumo de alimentos gordurosos: queijos amarelos, leite integral, carnes gordas, frituras e excesso de óleo nos alimentos;

 

»Controlar o peso também é fator fundamental.

 

Para saber mais informações a Sociedade Brasileira de Diabetes disponibiliza em seu site uma série de sete manuais com orientações sobre alimentação e nutrição para pessoas com diabetes mellitus.  Acesse:

Manual 1

Manual 2

Manual 3

Manual 4

Manual 5

Manual 6

Manual 7


31/07/2008

8 DE AGOSTO DIA NACIONAL DE CONTROLE DE COLESTEROL

Author: Giseli Galati

 

A Sociedade Brasileira de Cardiologia lançará dia 8 de agosto de 2008 a campanha nacional de combate ao colesterol. Para isso ela traz algumas informações e material informativo sobre o colesterol que pode ser acessada através do site www.cardiol.br, apresentado nessa matéria. Aproveitando a oportunidade para auxiliar no combate, trago algumas orientações alimentares que podem auxiliar na prevenção desse mal que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

 

O QUE É?

 

É uma gordura importante para a saúde do corpo, pois é utilizada na formação de membranas da células do nosso corpo e alguns hormônios. É produzida pelo nosso corpo mas adquirimos também através da ingestão de alimentos gordurosos.

 

TIPOS DE COLESTEROL

 

HDL- colesterol (colesterol bom) – remove o excesso de colesterol no sangue, reduzindo o risco do desenvolvimento de placas de gordura, em níveis baixos indica risco de doenças cardiovasculares

 

LDL-colesterol (colesterol ruim) – responsável pela formação de placas de gordura nas veias e artérias, prejudicando a passagem do sangue, aumentando o risco de “derrame ou infarto”.

 

QUEM PODE TER ALTERAÇÃO DO COLESTEROL?

 

Qualquer pessoa, sendo mais comum em pessoas com estilo de vida sem atividade física e alimentação inadequada, rica em gordura.

 

RISCOS À SAÚDE

 

Apresenta riscos a saúde quando fora dos valores normais, sendo o excesso depositado na parede das veias e artérias, formando placas de gordura que podem dificultar a passagem do sangue ou até mesmo “entupir” causando “derrame ou infarto”.

 

Colesterol total (HDL + LDL) – deve estar menor que 200mg/dl

 

LDL-colesterol – menor que 130mg/dl- desejável e menor que 100mg/dl – ótimo

 

HDL- colesterol – maior que 40mg/dl(homens) e maior que 50mg/dl(mulheres)

 

SINTOMAS

 

Não apresenta sintomas, sendo necessário a realização de exames de sangue, esses só aparece, quando já existe uma doença “derrame ou infarto” já estabelecidos”

 

A ALIMENTAÇÃO PARA O CONTROLE DO COLESTEROL (LDL)

 

Tenha uma alimentação equilibrada: realize pelo menos 5 a 6 refeições/dia;

 

Tenha uma alimentação rica em frutas e vegetais: aumente o consumo de alimentos ricos em fibras solúveis (polpa das frutas, vegetais, aveia)

 

Pratique atividade física;

 

Reduzir o consumo de alimentos gordurosos (frituras, massas folheadas, lanches, leite e derivados integrais, carnes fritas e com gordura)

 

Reduzir a quantidade de óleo adicionada às refeições – devemos consumir por mês o referente a meia lata/ pessoa (adultos);

 

Evite o consumo de vegetais refogados: prefira sempre cozidos na água;

 

Consuma leite e derivados desnatados;

 

Prefira as carnes brancas (frango ou peixe sem pele) : assados, cozidos ou grelhados;

 

Reduza o consumo de alimentos ricos em gorduras trans (produtos de padaria como roscas com creme, sorvetes em massa, bolachas recheadas, macarrão instantâneo, salgadinhos fritos, frituras, margarinas ) – Olhe sempre o rótulo dos alimentos e compre os alimentos que não contém!

 

Para controle e tratamento da doença consulte seu médico e procure uma nutricionista para orientações individualizadas!

Fonte: www.cardiol.br e Giseli Galati